Diminuição da libido masculina e feminina

A procura por uma expressão que traduza, de modo objetivo e indiscutível, o estado de “apetência sexual”, não é um problema de hoje. Freud (1905) começa os “Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade” lamentando o fato de não existir, em alemão, uma palavra para designar a “necessidade sexual”, da mesma forma que a palavra “fome” indica a “necessidade de alimento” e que, por analogia, a palavra “sede” sugere a “necessidade de água”.  E, finalmente, optou pela expressão “libido” para indicar desejo sexual.

Contudo, posteriormente, a palavra “libido” foi redefinida e passou a ter um sentido mais amplo, deixando de definir a energia das pulsões sexuais para representar a energia das pulsões de vida, isto é, a energia que tende à autoconservação, em oposição às pulsões de morte (CAVALCANTI & CAVALCANTI, 1996).

É indiscutível que todo indivíduo da espécie humana nasce com a capacidade de ter apetite sexual diante de um estímulo erótico eficaz. A apetência sexual é uma potencialidade biológica, que está submetida às variáveis culturais e educacionais, às vivências, à época histórica e ao genótipo.

A redução dessa apetência é uma disfunção conhecida como a Diminuição do Desejo Sexual feminino ou masculino, ou simplesmente, Inapetência Sexual, que indica a falta de apetite erótico – um estado de “anorexia” sexual, em que há Diminuição da Libido.

Errônea e pejorativamente chamada de “frigidez”, essa Inapetência Sexual, é uma disfunção que pode ser apresentada tanto por mulheres, quanto por homens.

A intimidade do problema dificulta as pesquisas e, por isso, os números que representam a incidência dessa disfunção variam muito de autor para autor.  Segundo Cavalcanti & Cavalcanti (1996), a Diminuição do Desejo Sexual está presente em 35 a 40% das mulheres e atinge cerca de 20% dos homens.

Parece-nos que a Inapetência Sexual tem aumentado nas últimas décadas, fato este que, ao meu entender, ocorre devido ao bombardeio de apelo ao consumo, que envolve, também, o sexo, através de mídias, principalmente a eletrônica.

diminuicao desejo feminino

Classificação do desejo sexual

A Diminuição do Desejo Sexual pode ser classificada de acordo com critérios de cronologia e amplitude:

– Sob o ponto de vista cronológico, é considerada primária ou constitucional quando o indivíduo nunca sentiu ou jamais percebeu seu apetite sexual. E, é avaliada como secundária quando ocorre depois de um longo período de existência de desejo sexual, podendo se instalar bruscamente, depois de acontecimentos traumáticos, ou de modo progressivo e lento, como se o manancial do apetite fosse se exaurindo aos poucos.

– Sob o ponto de vista da amplitude, elas podem ser gerais, absolutas, situacionais ou relativas. Mas, por envolverem sensações complexas e de difícil explicação, é essencial a ajuda de um profissional na avaliação deste critério.

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