Variação espaço-temporal da macrofauna bentônica em diferentes hábitats de uma lagoa do

sistema costeiro norte do Rio Grande do Sul, Brasil

CENZANO1, C.S.S. & WÜRDIG1, N.L.

1 Benthic Invertebrate Laboratory I – Department of Zoology – Institute of Biosciences – IB, Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Av. Bento Gonçalves, 9500 - Bloco IV - Prédio 43435 - Sala 204 – CEP 91501-970, Porto Alegre, RS.

e-mail: csscenzano@yahoo.com.br and wurdignl@vortex.ufrgs.br

RESUMO: O presente trabalho analisa a estrutura da comunidade de macrobentos em três áreas da Lagoa Itapeva, Litoral Norte do Rio Grande do Sul. Em cada uma das áreas de estudo, margem deltaica do Rio Três Forquilhas, área central e margem leste, foram estabelecidas três unidades amostrais, eqüidistantes 500 m, na direção do fetch NE-SW. As coletas foram realizadas nos períodos de verão e inverno de 2000 e verão de 2001, com um amostrador do tipo Ekman-Birge, com área de 225 cm2. Os táxons mais abundantes na margem deltaica foram os Naidinae e os Chironomidae (Polypedilum sp. e Cryptochironomus sp.); na área central, os Tubificinae, Veneroida, Chaoboridae (Chaobors (Chaoborus) sp.) e Chironomidae (Coelotanypus sp. e Cladotanytarsus sp.) e na margem leste os Hidrobiidae (Heleo charruana e P. ribeirenses). A riqueza de famílias variou entre 9 e 15, a diversidade entre 1,22 e 2,05 e a equitabilidade entre 0,48 e 0,8. A análise de variância indicou que para os valores de riqueza de famílias, número total de indivíduos e equitabilidade, o hábitat foi um fator de maior importância na comunidade, porém os valores de diversidade variaram em função do tempo. Os maiores valores de correlação (Spearman) foram encontrados entre o número total de indivíduos e as variáveis areia fina, forma de deposição dos sedimentos (classificação de Passega) e hidrodinâmica (relação areia/silte+argila); entre equitabilidade e matéria orgânica, percentual de silte e seleção do sedimento e entre diversidade e a assimetria. A variação espacial do macrobentos teve a influência das variáveis texturais do sedimento e da vegetação aquática, que construíram diferentes substratos, propiciando refúgio e recurso alimentar. Enquanto a variação temporal parece ter sido favorecida pela profundidade da lâmina d‘água e hidrodinâmica.

Palavras-chave: Macroinvertebrados, hábitats, variação espacial e temporal, lagoa costeira, Rio Grande do Sul.

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