Biomonitoramento de macroinvertebrados bentônicos na bacia do médio rio Doce.

MORETTI1,2, M. S. & CALLISTO1, M.

1 UFMG / Instituto de Ciências Biológicas, Depto. Biologia Geral, Lab. Ecologia de Bentos

Av. Antônio Carlos 6627, C.P. 486, CEP 30.161-970, Belo Horizonte, MG, Brasil. callisto@icb.ufmg.br

2 Programa de Pós-graduação em Ecologia, Conservação e Manejo da Vida Silvestre,UFMG.

RESUMO: O objetivo deste estudo foi avaliar as comunidades de macroinvertebrados bentônicos em sete ecossistemas lóticos e quatro lênticos na bacia do médio rio Doce (MG, Brasil) durante os períodos de chuvas e seca de 2000-2001. Um total de 110 amostras de sedimento foi coletado nos lagos e 153 nos rios. Os teores de matéria orgânica e a composição granulométrica dos sedimentos também foram analisados. Os índices de diversidade de Shannon-Wiener e equidade de Pielou foram calculados e utilizou-se o teste U de Mann-Whitney para verificar se haviam diferenças na densidade (ind.m-2) e na riqueza taxonômica entre os períodos estudados. Nos rios, a composição granulométrica do sedimento apresentou uma mistura de frações granulométricas. Os sedimentos dos lagos foram orgânicos e apresentaram altas porcentagens de silte e argila. Um total de 49 taxa foi encontrado nos ecossistemas lóticos e a maior densidade foi encontrada em 2001 (> 30.000 ind.m-2). Os menores valores de riqueza taxonômica foram encontrados nos rios Piracicaba e Ipanema (6 e 2 taxa, respectivamente). A densidade total de macroinvertebrados foi diferente entre as estações chuvosa e seca em 2001 (p < 0,005). Os valores de eqüidade foram altos e os de diversidade foram baixos (H’ < 0,7). Nos lagos foram encontrados 31 taxa de invertebrados e o maior valor de densidade foi encontrado no período de seca de 2001 (2.500 ind.m-2). A lagoa Carioca apresentou elevada densidade e riqueza taxonômica em todos períodos amostrados (> 750 ind.m-2 e > 6 taxa). Diferenças significativas foram encontradas nos valores de densidade e riqueza taxonômica entre os períodos de chuvas e seca em 2000 e 2001 (p < 0,005). Portanto, a comunidade de macroinvertebrados bentônicos pode ser usada como ferramenta na avaliação da qualidade da água e saúde dos ecossistemas aquáticos.

Palavras-chave: macroinvertebrados bentônicos, bioindicadores de qualidade de água, identificação em nível de famílias, bacia do rio Doce.

 

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