Influência marinha em assembléia de peixes em riachos costeiros da bacia do Rio Itanhaém, sudeste do Brasil

LEUNG1, R. & CAMARGO1, A.F.M.

1 Departamento de Ecologia and Centro de Aqüicultura, Instituto de Biociências, Universidade Estadual Paulista – UNESP - Av. 24A, 1515. CEP 13506-900, Rio Claro, SP, Brazil. e-mail: rleung@bol.com.br

RESUMO: Há muitos estudos das comunidades de peixe em vários estuários no mundo, mas há pouca informação sobre a influência das espécies marinho-estuarinas na comunidade de peixes de água doce em rios costeiros. Nosso objetivo foi estudar o efeito das espécies marinho-estuarinas na estrutura da assembléia de peixes de água doce em rios costeiros da bacia do rio Itanhaém, Sudeste do Brasil. Os peixes foram coletados com redes malhadeiras e puçás em 4 pontos distantes 12, 14, 15 e 26 km da foz do estuário. Foram encontradas 19 espécies e 12 famílias. Cinco espécies foram marinho-estuarinas: Centropomus pectinatus, Dormitator maculatus, Anchoa tricolor, Awaous tajasica e Syngnathus folletti. As espécies de água doce mais abundantes foram Hyphessobrycon reticulatus, Geophagus brasiliensis, Characidium lanei e Phalloceros caudimaculatus. O ponto mais próximo do estuário possuiu o maior número de espécies e a maior abundância de peixes marinho-estuarinos correspondendo a 33% da riqueza de espécies e 5% dos indivíduos. Nos demais pontos, a ocorrência de peixes marinho-estuarinos foi rara, contribuindo pouco para o aumento da riqueza e diversidade de espécies, sendo que corresponderam no máximo a 13% das espécies ou 1,3% dos indivíduos amostrados em cada ponto. O seu efeito na estrutura da assembléia foi qualitativo e não quantitativo. A abundância dos peixes marinho-estuarinos se correlacionou positivamente com a salinidade e o pH, e negativamente com a distância ao estuário. A maioria das espécies foi eurihalina e não encontraria dificuldade para entrar em rios com salinidade extremamente baixa, entretanto a maior parte dos peixes foi encontrada próximo ao estuário. Provavelmente esta distribuição esteja relacionada à história de vida das espécies (catádromas ou anfídromas), que as mantêm mais ligadas ao ambiente estuarino. Apesar da baixa abundância, os peixes predadores do estuário podem ser importantes na regulação da cadeia alimentar de água doce através de controle topo-base e “cascata trófica”. Os nossos resultados indicam que as espécies marinho-estuarinas desempenham um papel importante na estruturação da assembléia de peixes nos trechos baixos dos rios costeiros contribuindo principalmente para o aumento da riqueza de espécies e da dissimilaridade qualitativa.

Palavras-chave: estuário, riqueza, diversidade, distribuição, similaridade, salinidade.

 

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