Alimentação de Cichla monoculus Spix, 1829 (Teleostei: Cichlidae) durante e após a formação de um reservatório no Rio Tocantins, Brasil Central

NOVAES, J.L.C1; CARAMASCHI, É.P.1 & WINEMILLER, K.O.2

1 Departamento de Ecologia/Instituto de Biologia/ Universidade Federal do Rio de Janeiro Caixa postal 68020 Ilha do Fundão CEP 20 941-970 Rio de Janeiro RJ, Brasil. e-mails: josenovaes@hotmail.com; erica@biologia.ufjr.br

2 Department of Wildlife and Fisheries Sciences, Texas A&M University, College Station, TX 77843-2258, USA. E-mail: k-winemiller@tamu.edu

RESUMO: Neste trabalho caracterizamos a alimentação de Cichla monoculus em um trecho do alto rio Tocantins durante a instalação da usina hidrelétrica Serra da Mesa. Os peixes foram capturados bimestralmente em dois períodos: fase de enchimento do reservatório (dez/96 a abr/98) e fase de operação da usina hidrelétrica (jun/98 a fev/00). As análises do conteúdo estomacal confirmaram o hábito piscívoro da espécie, porém revelaram diferenças na composição da dieta entre a fase de enchimento e a fase de operação. Caracídeos tetragonopteríneos foram as principais presas na fase de enchimento e ciclídeos foram dominantes na fase de operação. Foi observada redução da atividade alimentar em indivíduos reprodutivos. Juvenis apresentaram dietas diversificadas quando comparadas à forte piscivoria dos adultos. A relação predador-presa foi fraca em ambas as fases (r2 < 0.43) e positiva apenas na fase de operação. Canibalismo foi registrado ao longo de todo o período de estudo. A plasticidade alimentar e disponibilidade de ciclídeos como presas são, provavelmente, fatores que explicam a persistência de C. monoculus em reservatórios.

Palavras-chave: Cichla monoculus, alimentação, reservatório, Serra da Mesa.

 

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