Características físicas e químicas dos rios Capivara e Lavapés, tributários do reservatório de Barra Bonita (São Paulo, Brasil)

MORETTO1, E.M. & NOGUEIRA1, M.G.

1 Department of Zoology, Institute of Biosciences, UNESP, Rubião Junior, 18618-000, Botucatu, São Paulo, Brazil.

RESUMO: Um estudo limnológico foi realizado nos trechos inferiores dos rios Capivara e Lavapés, bem como na região de suas desembocaduras junto ao reservatório de Barra Bonita (rio Tietê, SP). As amostragens foram feitas em duas épocas do ano, inverno (período seco) e verão (período chuvoso). Diferenças na qualidade de água entre os rios e destes com a zona sob influência do reservatório foram eficientemente detectadas pela variação dos valores de condutividade elétrica, oxigênio dissolvido, fósforo dissolvido e total, nitrogênio total, nitrito, amônio e sólidos em suspensão. As condições limnológicas no rio Lavapés são fortemente condicionadas pela entrada, ainda no trecho superior, de todo o esgoto não tratado da cidade de Botucatu. A considerável diferença altitudinal entre as zonas de cabeceira e desembocadura certamente contribui para uma maior capacidade de autodepuração do sistema. Contudo, a água observada no trecho inferior ainda apresenta elevadas concentrações de nutrientes, o que torna este rio um importante fator contribuindo para a eutrofização do reservatório de Barra Bonita. Apesar do aumento da turbidez, o aumento das chuvas no verão promove uma diluição na concentração de nutrientes. O estado de conservação da vegetação é crítico em ambas as bacias, sendo ainda pior para o Lavapés. No caso do Capivara outro importante fator de degradação é a drenagem de áreas de várzea originalmente presentes ao longo da bacia, para fins de ocupação agrícola. Assim, durante a estação das chuvas há um considerável incremento na concentração de sólidos suspensos em ambos os rios. Como conseqüência elevadas cargas são introduzidas no reservatório. Neste processo a contribuição do Capivara é maior, já que seu volume aumenta muito mais no verão devido a maior extensão de sua bacia e número de tributários. O ciclo sazonal de precipitações não tem o mesmo efeito direto no reservatório. Pelo menos em termos hidrodinâmicos, já que a profundidade no compartimento estudado mostrou-se mais influenciada pelos mecanismos de operação na barragem. As condições limnológicas na região do reservatório localizada em frente as zonas de desembocadura mostraram-se diferenciadas daquelas encontradas nos próprios rios. Assim, a influência dos mesmos sobre o reservatório é limitada, devido a pequena contribuição em termos de volume. Contudo, o impacto cumulativo destes tributários sobre Barra Bonita não pode ser negligenciado.

Palavras-chave: reservatório, tributários, variáveis físicas e químicas, variação espaço temporal.

 

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